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03/03/2004 20:09
A Magia Sexual
O sexo nada mais é do que uma das formas do dualismo universal, é o símbolo por excelência da indistinção primordial e divina de toda a experiência que tende a reintegrá-la por meio do indivíduo. No princípio - dizem as grandes tradições e as várias filosofias sagradas o Oriente e do Ocidente - era um único ser, o qual possuía em si dois sexos. Adão deixou-se dividir por deus em duas metades: uma masculina e a outra feminina; porém, com a separação, surgiu, natural, o desejo da reunião em um corpo único. Amor é a reintegração universal do eu cósmico e todas as técnicas que em geral correspondem ao nome, na verdade bastante genérico e apressado, de magia sexual tendendo justamente para esse fim. Eliminemos logo o que pode ser definido como um verdadeiro equívoco fundamental. Alguns ocultistas de escola ocidental acham que a magia sexual não passa de magia negra. Isso porém é demasiado simplista e desorientador, porque, convém lembrar, o que determina o tipo de magia que se pretende praticar não são os métodos utilizados, mas o fim preestabelecidos. Sob esse ângulo, também uma operação de magia talismânica pode parecer um ato de magia negra, assim como uma operação de magia sexual destinada a obter o Conhecimento supremo - embora sendo uma prática do "Caminho da Mão Esquerda" - sempre pode ser atribuída à magia branca, ou melhor, à magia vermelha.
Durante a excitação sexual podem verificar-se percepções extrasensoriais e todos os aspectos de fenomenologia paranormal podem se intensificar, pois a mente, logo antes, durante e depois o apogeu do orgasmo, estando dominada por uma intensa emoção, encontra-se em um estado particular, em que a sensibilidade é aguçada e onde é muito mais fácil - seguindo certos procedimentos - o acesso ao inconsciente e aos chamados diversos planos de existência. O estado de consciência que se experimenta durante um orgasmo pode ser comparado ao samandi da ioga, a um estado de êxtase intenso em que o ego se dissolve no Todo. Outro momento semelhante para adquirir uma consciência mais elevada manifesta-se no momento da morte física. Dessa forma, um indivíduo que decide, em plena consciência, permanecer perfeitamente lúcido durante a passagem, ou seja, sem se deixar dominar pelas emoções e pelo pânico - coloca a própria mente em condições de elevar-se a um estado superior de consciência. Diz o sábio: "Em todos os graus de emoção, o adepto não deve perder o autocontrole". Esta semelhança entre o orgasmo e a morte provavelmente levou a definir o momento do apogeu ejaculatório como mors justis e, segundo Crowley, feliz é aquele que morre no exato momento do orgasmo.
É obrigatório, entretanto, dar um esclarecimento. Segundo o Tantrismo oriental - com a única exceção do hindu - que se ocupa da magia do sexo, no momento do orgasmo não deve ocorrer a descarga seminal; o adepto deve praticar a retenção do sêmen contraindo os músculos abdominais e praticamente uma respiração deliberadamente controlada; o mesmo deve acontecer com a yogini (a mulher). O mesmo processo é aconselhado aos que praticam as técnicas ensinadas pelo Taoísmo sexual chinês. Segundo essas doutrinas, de fato, o coito normal determina um desperdício enorme de fluido vital, que como direta conseqüência, provoca danos incríveis no invólucro astral do indivíduo e, se prolongado no tempo, grandes dispersões de força física. Ora, sempre de acordo com estas práticas da escola oriental, controlando a emissão do sêmen e das substâncias femininas, o yogi e a yogini reabsorvem, revertendo em si mesmos, as essências que, entrando em círculo, são sublimadas em um sutil jogo de alquimi!
a e conduzem à imortalidade, em outras palavras, servem para alimentar o Corpo de Luz. Vice-versa, existe uma certa confusão a esse respeito nas práticas de magia sexual ocidental. Se, por um lado, é verdade que na escola que segue os ensinamentos tradicionais do esoterista Pascal Bewerly Randolph - a retenção do sêmen humano durante o ato sexual é respeitada e praticada, também é verdade que o tantrismo ensinado nas ramificações da OTO não leva em conta esse particular, que quase sempre é negligenciado.
Segundo esta última, o sêmen, sendo o produto final de todo o procedimento, acaba sendo um produto de eliminação, deixado por uma corrente de consciência impropriamente absorvida. Isso não seria mais do que prana ou ojas, de qualquer modo, contribui para a criação de formas materiais, seja quando recolhido a um seio, seja quando permanece inerte. Mas - e aqui está o ponto crucial - no último caso o esperma é recolhido pelas entidades qliphoticas e assimilado por entidades já existentes em outros planos (larvas astrais, monstros do incosciente, vampiros psíquicos, etc). Crowley, ao que parece, pensou em contornar o obstáculo reabsorvendo oralmente as substâncias durante os rituais, mas é claro que não se trata absolutamente do procedimento exato. "A união sexual" - escreve Ajit Mookerjee em seu Tantra Asana - A way to Self-Realization - "é um dos caminhos tântricos a disposição dos indivíduos para dirigir todas as funções psicomentais para um só ponto. Esta união, devido à própria intensidade, pode confundir suas consciências com a do Cosmo. Quando Kundalini se ergue, os corpos abandonam suas funções físicas normais, as mentes dos participantes fundem-se de forma que quem formula a prece e aquele a quem está destinada se tornam uma coisa só. " Eis, portanto que a união sexual se eleva ao papel divino da prece, pois não se trata de experimentar uma gratificação dos sentidos durante o coito e, de modo especial, no momento culminante do orgasmo - mas de saber controlar com a vontade todo o processo, orientando as forças sutis que se desprendem do próprio ato e canalizando-as através de vários Chackras até sublimá-las depois de terminada a ascensão. "A meta pode ser alcançada" - escreve ainda Mookerjee - "tanto individual!
como coletivamente. Cada qual deve mergulhar no propósito de encontrar a nascente, não para a procura egoísta de um estado de graça privado, mas para descobrir a própria verdade do Universo.".
Este ponto revela-se fundamental e, certamente, é o ponto fraco de toda a prática. Para o homem moderno, o Eros - o instrumento da obra - é apenas desejo sexual, ou pior ainda, avidez sexual; para o mago, o eros é amor, um amor que envolve e impregna toda a outra pessoa, é um desejo de alma e não do corpo. Portanto, é ponto pacífico que tudo pressupõe um treinamento rígido e, diria, excepcional por parte do estudante, em que a prudência e a vontade caminham lado a lado. É muito fácil perder o controle da situação e deixar-se envolver pela volúpia dos sentidos. A mente deve ser treinada com exercícios especiais de concentração e meditação, e o corpo deve estar fisicamente são e bem-disposto à ação. Para isso, convém um bom domínio das teçnicas de Ioga. Em magia, portanto, a utilização da atividade sexual permite que se alcance o Conhecimento Supremo e, ao mesmo tempo, revela-se um sistema poderosíssimo para carregar Talismãs e Selos, para entrar em contato com outros planos de existência, para desenvolver certos poderes mágicos, e assim por diante.
enviada por GOTHICO
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